Alimentos alternativos na suinocultura: conheça as oportunidades e os desafios

As despesas com alimentação correspondem a cerca de 73% dos custos totais de produção na suinocultura. A flutuabilidade do preços do milho e da soja pode impactar a lucratividade, e a busca por alimentos alternativos para os animais pode ser uma excelente estratégia para diluição das despesas.

O uso de alimentos alternativos como estratégia econômica

Muitas vezes, a disponibilidade desses alimentos pode ser muito boa devido à proximidade geográfica com indústrias ou com produções agrícolas, o que também reduz os custos com transporte.

Alguns exemplos são outras fontes vegetais, subprodutos e co-produtos da indústria. Os subprodutos são obtidos como resíduos da obtenção do produto principal, enquanto os co-produtos são itens secundários com menor valor agregado.

Fontes vegetais

Sorgo: substitui parcialmente o farelo de soja, e, se utilizado corretamente, não gera impacto nos índices zootécnicos. Porém, tem baixa palatabilidade.

Triticale: possui valor nutricional semelhante ao do trigo, com menor custo.

Quirera de arroz e farelo de arroz integral: alternativas interessantes caso o preço esteja melhor que do milho. Deve-se tomar cuidado com a quantidade de óleo presente no farelo de arroz integral, que pode rancificar rapidamente.

Outros exemplos  são as frutas, hortaliças e raízes como fontes de energia, como a abóbora, batata-doce, batata-inglesa, banana, cenoura e mandioca.

Subprodutos e co-produtos da agroindústria

Disponíveis em grande quantidade e com preço acessível, as oportunidades estão diretamente associadas aos tipos de indústrias próximas da granja.

Resíduo úmido de cervejaria: pode ser uma fonte interessante de proteína bruta. Necessita de proximidade geográfica por ser muito perecível.

Soro de leite: boa fonte de energia pela presença dos açúcares do leite (lactose e galactose). Além disso, as proteínas presentes são de alto valor biológico.

DDG (grãos secos e destilados): esses resíduos das destilarias de etanol de milho possuem alto teor de proteínas bruta. Entretanto, apresentam maior quantidade de micotoxinas em comparação ao milho grão

Subprodutos de abatedouros

Geralmente oferecem uma boa porcentagem de proteína, sem a presença de fatores alergênicos ou antinutricionais.

Farinha de carne e ossos: excelente fonte de proteína e gordura, além de cálcio e fósforo.

A farinha de sangue: tem como principal característica a alta palatabilidade, estimulando o consumo.

Farinha de pena hidrolisada:  também é uma fonte interessante de proteína com baixo custo.

Plasma em pó e proteína hidrolisada de frango: alto teor de proteína bruta aliada à alta digestibilidade, sendo indicados para as categorias mais críticas, como os leitões desmamados.

Óleos e gorduras

São excelentes formas de aumentar a densidade energética da dieta com redução do custo, além de aumentarem a palatabilidade.

O óleo de soja e as gorduras animais, como o óleo de ave e o sebo bovino, são os principais exemplos. Entretanto, é necessário utilizar emulsificantes para garantir uma incorporação adequada das gorduras na ração.

Restos de alimentos industrializados

São produtos destinados ao consumo humano que são descartados da indústria por estarem fora do padrão de qualidade. Possuem ingredientes que podem ter um bom aproveitamento pelos suínos, como farinha de trigo, milho, açúcar e óleo vegetal.

Biscoito de trigo, pipoca doce, batata palha e macarrão são alguns dos mais utilizados. Apesar do alto teor de matéria seca e de energia, sua padronização é muito difícil, devido às diferenças de cada lote de alimento recebido.

Principais desafios no uso de produtos alternativos

A viabilidade econômica do uso de alimentos alternativas depende de diversos fatores:

Uniformização dos nutrientes: é fundamental conhecer a composição nutricional deste alimento, da presença de fatores anti-nutricionais e do nível ideal de inclusão.

Custos diretos e indiretos: como alguns nutrientes necessitam do uso de outros para correções nutricionais e de palatabilidade, é preciso cuidado para que a adição de novos componentes não deixe a ração mais cara.

Controle de qualidade: a ausência de micotoxinas e contaminantes também precisa ser verificada, principalmente em derivados do milho.

Distância da fonte: a despesa com transporte precisa entrar no custo total dessa nova fonte de alimento.

Benefícios além da redução de custos

Além de melhorar a rentabilidade produtiva, o uso de componentes alternativos na dieta dos suínos também contribui para a economia circular, uma peça-chave da produção sustentável.

Com isso, há uma redução do uso de energia para a obtenção de novos produtos, economizando água, minimizando os resíduos descartados no ambiente e diminuindo a emissão de gases do efeito estufa.

A inserção de alimentos alternativos na dieta dos suínos, portanto, não é apenas uma forma de enfrentar os desafios econômicos do setor, mas, também, de estabelecer  uma suinocultura com mais eficiência produtiva e responsabilidade com o meio ambiente.

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REFERÊNCIAS:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RECICLAGEM ANIMAL. Produtos. ABRA, 2024.

CHAMONE, J. M. A. Qualidade da carne suína produzida em sistemas de terminação diferenciados. 2019. 119 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Estadual de Montes Claros, Montes Claros, 2019.

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